15.7.08

night and day


movimentar a luz para obter a sombra; procurar a sombra para fugir à luz; ter da luz a necessidade de sombra; aceitar que só da sombra consigo ter luz.

11.7.08

corações na calçada

Parece que o Truffaut dizia que as canções da rádio às vezes dizem a verdade. Recordei "E depois do adeus" e lembrei-me das situações que fazem chorar as pedras da calçada e, em certos casos, nascerem-lhes mesmo corações mesmo... Sempre, é claro, ao som de um verdadeiro adeus ouvido numa rádio indefinida e intemporal.

8.7.08

redemoinhada

todos os cuidados são poucos quando atiramos cartas... e se cada uma transportar um furacão de fios de ariadne o perigo é maior: não conseguimos parar de perceber onde estamos — mesmo não o querendo saber. todos os cuidados são poucos se não olharmos para a terra/chão.

30.6.08

são maçãs vermelhas, senhor



os meus pecados originais (re)começam a cada segunda-feira.

25.6.08

desperdício [s]

há dias em que (nos) encontramos o contrário; há dias em que as fontes secam; há dias em que os bueiros são nascentes; há dias em que as fontes invertidas são mais do que letras de pernas para o ar: há dias.

20.6.08

um divã colectivo, pf


os meninos voltaram a sê-lo só das suas mães... apanhados nas redes que um quase país lhes teceu. ora bolas para este viver placebo.

19.6.08

[a] tirem pedras numeradas

3 (o Carnaval são três dias); 5 (as cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação); 7 (os sete pecados mortais: gula, luxúria, ganância, preguiça, vaidade, inveja e ira); 10 (os dez mandamentos que todos conhecemos na pele); 12 (as curas dos 12 passos para alcoólicos, toxicodependente e quem mais apanhar pesos); 17 (o " I aint got seventeen days", Amy Winehouse); 80 (a tia Maria das Dores faz 80 anos hoje!).

18.6.08

o cérebro ainda lá está...

Hoje o dia é de uma jovem de 15 anos, com a qual regateei uma fotografia em vez de um amplexo. Antes de me entregar a "coisa escrita" de hoje que eu comprara, foi correr a tirar fotocópia do texto. Despedi-me dela com um "fizeste-me o dia, hoje". Mesmo que não a tenha compreendido, estou certa que a frase vai entrar numa das folhas pautadas do bloco A5 onde escreve, com verdadeira caneta de verdadeira tinta permanente.


“Um dia acordei com medo da luz. Fosse o consolo de ver-te & quiçá me houvesse erguido. Nesse dia, o meu mundo parou por algumas horas. A tua imagem, inerte, ocupou todo o meu ver. Eras não mais que uma tortura. Mas qual consolo, qual quê? Ver-te? Ora essa! Nesse dia, só os cobertores me consolaram. Poder-te-ia chamar com todo o meu fôlego, mas mas todas as barreiras entre nós por ti impostas impedir-te-iam de ouvir. Seria não mais que um outro grito do meu querer-te a desvanecer. Podias contar pelos dedos todos os passos que já deste na minha direcção, tendo eu por anos & anos corrido mil mundos para ti todas as manhãs. Mas agora a luz feria-me & tu eras só a cura que nunca chegaria. Todo o frio que me atava à cama era só sintoma da falta dos teus braços.”
Kay Worska

17.6.08

são cobras, senhores...

com um avanço para um terceiro mandato, ao estilo re.re.re.avanço porque me pedem, pergunto: será desta que vamos da ofiofilia à ofiofobia? assusta-me que em Coimbra, apesar de serem casca de banana, as laranjas continuem nas ruas...

16.6.08

são lágrimas de Portugal...



cortaram-nos as suíças. e, chiça, já era tempo, parecemos uma colecção de cromos...

13.6.08

tarefas, doces tarefas

ontem,
ao riscar uma mesquinha tarefa da desvairada lista de tarefas que não pára de crescer com tarefas-medusas que não páro de alimentar com filigranas-tarefas percebi que preciso de um autocolante que me diga
"aqui não aceitamos mais tarefas!"
.
outra tarefa,
portanto.

12.6.08

11.6.08

meter uma lança em Coimbra


quando dizemos "meter uma lança em África" estamos a dar conta da dificuldade de uma iniciativa a que nos propusemos. esta Coimbra ainda é merecedora de ousadias?

10.6.08

má raça

Exemplos da raça: "A vida é como o desporto: é bela, nós é que damos cabo dela", dito por Belarmino em "Belarmino", de Fernando Lopes que explicou que este pugilista, que filmou há 44 anos, era uma metáfora da miséria do Portugal de então. E de hoje, acrescento eu.

9.6.08

são tábuas, senhor!


ele prometeu que quando chegasse ao fundo do prato da sopa teria uma surpresa que afinal era o próprio fundo do prato da sopa. tal qual nós e as grandes surpresas que nos somos!

6.6.08

5.6.08

desalinhos


rematou os olhos, rasgou o sorriso de auto-ajuda, arrancou a dentadura, enterrou as mãos no alcatrão-terra e esperou por um transporte público que chegou.

4.6.08

a carne é fraca


e arriscamos as nossas
opiniões/convicções/crenças
com qualquer risco?

carne=100% crueldade

3.6.08

venham mais cinco



e se houver assento com cordial acento todos terão assento nos assentos.

2.6.08

cruzes, canhoto!

desde que o gato preto que passa à nossa frente não o faça enquanto estamos em jejum não há azar!
resta-nos então escolher ter ou não ter um gato preto e/ou comer ou não comer durante a noite.

30.5.08

das frestas fazer festas

depois de aceitar as grandes infelicidades (que são sempre grandes e que continuam lá mesmo que não as aceitemos) temos que procurar as (várias) linhas de fuga que nos permitem esperanças inesperadas mas reais (existem sempre, assim acredito).

29.5.08

enviesamentos

não confundir a folha com a árvore, a árvore com a floresta, a floresta com a vida.

caminhar e respirar. respirar e caminhar. em diagonal, se preciso for...

23.5.08

quarteto da bic

a memória é provocada pelo regresso de pequenos objectos que aproveitamos para nos retomarmos/reafirmarmos... para cada acto, para cada palavra, para cada omissão, para cada viagem, para cada... há, por menos, duas perspectivas e, em certos dias/livros, quatro...

15.5.08

"Anda, vamos ver as montras"



há demasiadas montras feitas de papel e nós bem sabemos que a vida não é só feita de papel...

14.5.08

sair da crosta



aprendi uma palavra feia
Schadenfreude

à qual espero ser alheia

13.5.08

Queima das Fitas [3]



as placas tectónicas quando se deslocam provocam tremores de terra. Coimbra tem uma só sua que acontece por altura de Maio.

9.5.08

in-dissociação


descobri(-me!) que podia escrever a letra de um fado cantado pelo Camané porque o que ele canta e como ele canta tanto está em mim como às vezes não só está como é.

8.5.08

Queima das Fitas [2]


o facto de estarmos em escadarias ou em escalarias depender de uma diagonal assinalada por um outro deixa-nos nas mãos desse mesmo outro.

7.5.08

pé ante pé




só falta saber à porta do quê e/ou de quem deixarei o que já não uso/tenho/preciso/quero.

5.5.08

Queima das Fitas [1]

perante as sinestésicas imagens do dia depois de cada noite destas em Coimbra não me permito falsas moralidades e/ou irados maldizeres mas faz-me pensar na falta de tempo sempre manifestada para a combinação de outras sensações, prazeres e saberes.
e... será que votam? aqui ou lá...

2.5.08

escrever torto em linhas direitas


e porque não construir outro estádio já que não conseguimos manter o que temos? e se taparmos a baixa? afinal, com tanto comércio fechado o melhor é esconder aquilo tudo... e se adiarmos só um pouquinho mais (10 anos?!!!....) o metro? e se fingirmos que não existem determinados equipamentos e agentes culturais?
e se... nos mudarmos?

29.4.08

lapaliçada




às vezes não nos dizem onde é porque já lá estamos.

28.4.08

segunda

"s. f.,
prova tipográfica de uma folha que já se corrigiu;
intervalo musical de um tom a outro imediato;
corda de instrumento imediatamente superior à prima."

Não gosto de segundas e continuo sem perceber porquê...

27.4.08

em Abril águas mil

diziam-me que se olhasse, apontasse e contasse as estrelas teria cravos na mão. não recordo o que olhei, apontei ou contei para ter esta mão de cravos. entretanto espero que tenham cheiro e vontade, cor e história, sabor e saber.

26.4.08

anteparo


fechar a abertura
num sempiterno
remoinhar de
movimento
de faz de conta
sem fantasia
já que somos porque
sabemos estar
do lado de fora

25.4.08

esquinada



a liberdade de escolher o que me magoa é a minha conquista deste Abril.

24.4.08

mudar de vida

se pela manhã ao sair de casa deparar com uma pedra coração da calçada pintada de vermelho debruada a preto com a vida inscrita e não aceitar que este é um sinal de vontade de viver então...

23.4.08

[a]tirem uma pedra


estar empedrada ou ficar empedernida não é a mesma coisa; depende do caminho escolhido, depende da pedra pretendida.

21.3.08

de partida

entre dar tempo ao tempo e dar dias aos dias...

os amanhãs serão dias outros, doutros, noutros sítios.

eu vou partir a minha louça velha sozinha.

20.3.08

"Não sei para onde vou/Sei que não vou por aí"

a minha ideia de espiritualidade sugerida pela posição de um triângulo assente na base vem desde o figurino da Giulietta Masina em "Julieta dos Espíritos". percebi hoje que essa é uma outra indicação de que não há espiritualidade sem pés na terra.

17.3.08

derrotados ou vencidos?






certas caixas são como certas vidas:
fechadas porque abertas.

11.3.08

santo-pecador

Perguntei-lhe porque estava a dar de comer às pombas e ele respondeu-me que também elas têm fome.
Perguntei-lhe se sabia que há uns anos, ali perto, alguém tinha sido multado por o fazer.
Não só se recordava do sucedido como sabia que essa imposição legal derivava do facto de pombos e pombas serem portadores de doenças.
Com as migalhas do pão integral (cuja côdea ontem comeu, e nada mais, até porque o pão não era "mesmo" integral e ele é há 30 anos lacto-ovo-vegetariano e não imune às doenças) passou de uma das sete obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome), contrária a vários pecados mortais (avareza, gula e preguiça), para um novo pecado a propósito de modernos "demónios": poluição.
Agradeci-lhe ter-me recordado uma infância.

10.3.08

caminho




todos temos direito
a um lugar à chuva...

8.3.08

às avessas

a morte significa recomeço; o enforcado está pendurado por um pé; a força é simbolizada por uma mulher

o que está às avessas nestas vidas — cartas?

7.3.08

a arte de viver [1]


o ideal era não precisarmos estar encalhados, enfermos, entalados, entupidos ou enraivecidos para aprender a "distinguir o que depende e o que não depende de nós"

6.3.08

enredada

arriscar
o risco

riscar
as riscas

desligar