
desarraigaram as árvores da minha rua preferida e esconderam-no com um espelho imenso para o qual não olhei e por isso me perdi e as perdi.

haver sempre alguém que é mais capaz do que nós não pode ser motivo para não sermos, para não fazermos, para não provocarmos, para não respirarmos, para não limparmos, para não recordarmos, para não olharmos, para não beijarmos, para não fugirmos, para não recomeçarmos, para não lermos e para não escrevermos.

dou-te o meu reino, faço-te rei e rainha e vida; afasto o necessário do suficiente, o desejável do suportável; troco o vazio pelo cheio, o cheiro pelo toque; mudo o respirar para o palpitar. e danço.
depois de descer muitas vezes, decidiu que era tempo de subir. enquanto andava de costas, a mudança de sentido, na direcção de um destino não escolhido, era difícil; olhou para o céu, contou as estrelas e apostou quantos cravos iam nascer: oito! contou três candeeiros e cinco telemóveis. mas eram nove se contasse com a ferradura pendurada nas costas da porta... tropeçou-se e caíu na esquina.



e quando finalmente conseguiu abrir, entrar, olhar e sair, percebeu que para fechar a porta tinha que ter a chave do lado de fora; a porta, que não tinha nesgas outras para além das rugas, era impedimento para incluir essa chave no não existente que tinha sido construído / decidido. moral da "tisana": são as chaves que determinam onde iniciamos o nosso passado e não as mãos que as giram.
na sugestão do plágio há assombro e presunção
Sabe dizer-me onde fica a Rua da Misericórdia, pergunta do interior de um carro comercial preto. Talvez se me indicar o que procura. Mostra a folha A4, orlada a preto, com uma cruz centrada ao cimo, a anunciar o óbito.