22.4.09

mobilidades da morbilidade



desarraigaram as árvores da minha rua preferida e esconderam-no com um espelho imenso para o qual não olhei e por isso me perdi e as perdi.

18.4.09

papairar


qualidade dos que pairam em papel; 
diz-se dos indivíduos com vida feita de papel;
tentativa de dobrar uma folha de papel mais do que sete vezes.

16.4.09

já foi (foram) assim



ceder à cedência
do batom batom
nuns saltos altos?

16.3.09

os meus transformismos

da Selvajaria para a Barbárie com a olaria
da Barbárie para a Civilização com a escrita

da Civilização para a Barbárie com os muros
da Barbárie para a Selvajaria com o telemóvel 

14.3.09

não nos (vi)vermos

haver sempre alguém que é mais capaz do que nós não pode ser motivo para não sermos, para não fazermos, para não provocarmos, para não respirarmos, para não limparmos, para não recordarmos, para não olharmos, para não beijarmos, para não fugirmos, para não recomeçarmos, para não lermos e para não escrevermos.

13.3.09

aziaga sexta treze

"Tal como uma andorinha ou um dia não faz a Primavera, um dia ou um curto espaço de tempo não faz um homem afortunado ou feliz."
Eu conheci um homem que contrariava isto. Um só homem que fazia e fez e faz a diferença.
E não há gatos que apanhem esta pomba-andorinha, nem numa aziaga sexta treze...

5.2.09

amparar para não parar


pelo caminho dei-te a mão. e choveu. chove sempre. no regresso recordei os sentidos de uma escorregadia pedra molhada. e voltei para uma outra chuva, sem mão.

26.1.09

corre-corre






uns dias o tempo é suporte
outros dias suporta-se...

24.1.09

people person








ser interessado é ser interessante?
"an eye for an eye, a tooth for a tooth"

23.1.09

é proibido proibir desarrumar



elaborou um plano para nos proteger do que nos protegemos; um convite à vida que sem desregramentos pode não o ser

21.1.09

mirar a aragem

dou-te o meu reino, faço-te rei e rainha e vida; afasto o necessário do suficiente, o desejável do suportável; troco o vazio pelo cheio, o cheiro pelo toque; mudo o respirar para o palpitar. e danço.

por um café e um copo com água. sem açúcar. intentado e existente; insistente e duradouro. só dependente da perspectiva e da imaginação.

20.1.09

de pernas para o ar

depois de descer muitas vezes, decidiu que era tempo de subir. enquanto andava de costas, a mudança de sentido, na direcção de um destino não escolhido, era difícil; olhou para o céu, contou as estrelas e apostou quantos cravos iam nascer: oito! contou três candeeiros e cinco telemóveis. mas eram nove se contasse com a ferradura pendurada nas costas da porta... tropeçou-se e caíu na esquina.

19.1.09

caligrafada



a preto e branco escreveu — na pedra, na pele, na memória — a mudança do centro para a fuga; porque basta pedi-lo, escrevê-lo

e partir.

18.1.09

são cebolas, senhores




antes chorar que não corar aka antes estar vivo que fingir que se o está

17.1.09

(des) drama (teaser)





depois de escrever em preto sobre fundo preto, regresso ao branco.

26.11.08

ano isabelino










com os vários dias fez-se um ano, com os vários anos far-se-á al.

23.11.08

rasganço

não fale,
escreva.
não escreva.
pense.
mas não pense
sem fazer.

ou então rasgue.

22.11.08

cinzentinices








pedimos desculpa por esta interrupção, os "dias" seguem dentro de momentos
...

19.11.08

solarengos





já podem ter sido, hoje são ruínas em caminhos feitos se [formos] apontados.

17.11.08

dentirrostro





do voo assombrado de uma sombra de uma sombria saltou uma pergunta sombreada: que unidade usar para contar um Homem? uma pedra? e quem é o primeiro a contar? e a tirar? ou atirar?

12.11.08

necessários dualismos


tempos de vozes alinhadas ao pensamento? linhas paralelas ou concorrentes, em outros casos, secantes ou tangentes? o simultâneo assusta nestes últimos tempos...

11.11.08

a união faz a forca



o que adianta serem/sermos muitos se estão/estamos presos?

10.11.08

saudações



também aqui os dias podem não ser bons mas aqui diz-se sempre "bons dias" mesmo depois dos dias...

8.11.08

monólito

é com uma arte colectiva, como o teatro, o cinema ou a família, que a (ao) partir de várias pedras cria-se a ilusão da obra única, erigida a partir de uma só pedra. a qual não temos que compreender, suspeitá-la já é ser pedra.

7.11.08

obscura idade


ao dia em que deixámos de aqui estar e que não sabemos que dia é mas sabemos que foi.

seria noite?

6.11.08

Eppur Si Cresce!


os de cabeças (e narizes...) no ar são perdulários e incrédulos: o dinheiro pode crescer aos nossos pés, dependendo da nossa atenção e não da nossa imaginação.

4.11.08

entre o preto e o branco

e quando finalmente conseguiu abrir, entrar, olhar e sair, percebeu que para fechar a porta tinha que ter a chave do lado de fora; a porta, que não tinha nesgas outras para além das rugas, era impedimento para incluir essa chave no não existente que tinha sido construído / decidido. moral da "tisana": são as chaves que determinam onde iniciamos o nosso passado e não as mãos que as giram.

3.11.08

1.11.08

dias de flores também

com o passar dos dias somos os nossos próprios semelhantes mesmo ausentes, mesmo casualmente, mesmo zelosamente somos porque foram, somos para serem, somos para verem mesmo que já não se recordem

28.10.08

cai[a]da



a ausência de corrector na vida [era] é [será] erroneamente designada destino.

27.10.08

citação

na sugestão do plágio há assombro e presunção

o poder da arte (dos outros) é intimar-nos a olhar

e com/em constância construir

23.10.08

sinal da cruz no jogo do galo

Sabe dizer-me onde fica a Rua da Misericórdia, pergunta do interior de um carro comercial preto. Talvez se me indicar o que procura. Mostra a folha A4, orlada a preto, com uma cruz centrada ao cimo, a anunciar o óbito.
Ainda há quem lá viva que se lembre de quem já lá viveu? Ainda há essa rua? Ainda há misericórdia?
Quando eu morrer, joguem ao jogo do galo, sem galo...

22.10.08

Portugal

às
vezes
parece
que cai

mas afinal só
está inclinado

20.10.08

da amizade




podemos estar juntos

e, porém, contudo, todavia,
mas, entretanto, no entanto

de costas voltadas

19.10.08

16.10.08

a descer por linhas direitas





tal como não precisamos (mesmo) de linhas para escrever, também não precisamos (mesmo) de chão para mudar de lugar.

mesmo sem santos! ou talvez porque não somos santos...

15.10.08

respirar letras



uns dias escreve-se com palavras nuvens, outros com palavras ondas. mas escreve-se.

14.10.08

encaixar



cada qual num seu lugar: queixas e explicações em caixas separadas, de preferência fechadas, a abrir num post-mortem das más disposições

13.10.08

escombros



o preto e branco
é por
ca[u]sa da escrita

4.10.08

rasgos azuis




enganados pela desatenção ao pormenor,
confundimos lixo com memória

3.10.08

da alta à baixa



ao virar da esquina um novo teatro, onde chego por um familiar percurso da família que dá (mais um) sentido a estar aqui

4.9.08

re-esquinada


fazemo-nos aos caminhos
que os caminhos nos fazem

7.8.08

"o destino é um homem que nos pinta"


E, de quatro em quatro anos, escolhemos entre Mondrian, Pollock, Monet ou Schuiten...
Em Coimbra continuaremos a tentar que o Hieronumus Bosch não saia das telas.

6.8.08

daí a aqui



se anteciparmos a paragem sem desaparafusar [mo-nos] temos mais tempo para sentir

5.8.08

enforcado




o embaraço
de um tronco
escalpelizado
mas não alisado
para um baraço

4.8.08

em pedra, da pedra



marcas-me o corpo
as vezes que não estás

16.7.08

geração espontânea


perder o antigo para conquistar o futuro é uma mensagem de esperança, é uma mensagem de optimismo, é uma mensagem de vida.