11.3.08

santo-pecador

Perguntei-lhe porque estava a dar de comer às pombas e ele respondeu-me que também elas têm fome.
Perguntei-lhe se sabia que há uns anos, ali perto, alguém tinha sido multado por o fazer.
Não só se recordava do sucedido como sabia que essa imposição legal derivava do facto de pombos e pombas serem portadores de doenças.
Com as migalhas do pão integral (cuja côdea ontem comeu, e nada mais, até porque o pão não era "mesmo" integral e ele é há 30 anos lacto-ovo-vegetariano e não imune às doenças) passou de uma das sete obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome), contrária a vários pecados mortais (avareza, gula e preguiça), para um novo pecado a propósito de modernos "demónios": poluição.
Agradeci-lhe ter-me recordado uma infância.

10.3.08

caminho




todos temos direito
a um lugar à chuva...

8.3.08

às avessas

a morte significa recomeço; o enforcado está pendurado por um pé; a força é simbolizada por uma mulher

o que está às avessas nestas vidas — cartas?

7.3.08

a arte de viver [1]


o ideal era não precisarmos estar encalhados, enfermos, entalados, entupidos ou enraivecidos para aprender a "distinguir o que depende e o que não depende de nós"

6.3.08

enredada

arriscar
o risco

riscar
as riscas

desligar

3.3.08

de olhos em bico



só percebemos que não estão todos a olhar para nós se formos capazes de olhar para isso.

29.2.08

aldraba aldrabada





pede-se ao primeiro
a sair que deixe
a porta aberta.

28.2.08

espionar-te-me; espionar-me-te


são 15 passos no corredor — 30 se fingir que sou outro com quem falo — e não consigo parar de perguntar-me [-lhe]: para quê este caminho tão longo se não consegui memórias para pendurar?

27.2.08

aziaga azinhaga




no sofrimento por antecipação
mortifica-se no presente
o ressentimento da contrição

26.2.08

terra de ninguém



as protecções roubam-nos o tempo, resguardam-nos ao desejo, suprimem o ar e a luz e a terra e o fogo e abandonam-nos sós — sem sabor e sem saber.

25.2.08

pele [2]





às vezes assusta mais a [trans/meta] figuração do que a ausência ou a criação.

24.2.08

não te queixes, não te expliques



porque, nesta cidade, vão pensar que só porque pensas que és doutor não és, também tu, cidade...

22.2.08

pele [1]




entretantos e
entre tantos




estamos onde somos?
voltamos onde fomos?

21.2.08

pede um desejo...

estar permanentemente
a olhar para dentro



não é necessariamente
egoísmo.

20.2.08

14.2.08

destinos cambaios


aos portadores de sinais
resta-me a queixa
e a denúncia
da impossibilidade
do livre-arbítrio
mesmo detectando
as premissas
erradas...

13.2.08

do génesis aos apocalipses


manter a
vida / caixa / arca / banheira
desenferrujada

ou então mudar de corpo...

11.2.08

parabenizar


momento a momento,
instantâneo a instantâneo,
dia a dia

uma dedicatória
é uma prova de dedicação.

9.2.08

"caminhoso"




não se nasce para morrer.
vive-se e morre-se.

8.2.08

regozijo




um dos truques é procurar outras janelas na janela que nos calhou.

6.2.08

4.2.08

2.2.08

dia isabelino de...




o pensamento solidificou-se e desmoronou em letras vãs.

1.2.08

Fevereiro



mês novo
vida nova

a passo(s) de aranha...

31.1.08

verdade escancarada




se sabemos que a (nossa) natureza é violenta porque estão as janelas abertas?

29.1.08

[s]em perspectiva

vivido
aqui é diferente do
sentido
aí e do
percebido
dalém.

[de além e não do além]

22.1.08

falsos finais




sabedoria em esperar pelo fim.
respeito em esperar pelo fim.
mérito em esperar pelo fim.

21.1.08

emparedada


entre

o esconder e o espreitar,
o desistir e o resistir,
a madeira e a pedra,
o querer e o poder.

18.1.08

a conta-gotas

-
pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim pim
pum

16.1.08

coragem, fatalidade, inconsciência

a tal da espada do tal de Dâmocles está em saber distinguir o que é obrigatório, aconselhável ou desejável. o que é quase tão importante quanto saber distinguir os comportamentos ditados pela coragem, fatalidade ou inconsciência.

15.1.08

o perigo é não abrir...


Desgarradas Emboscadas Parelhas

Heurísticas Identidades Ontologias

Medusas Pandoras Procustas

Provocações Saberes Viagens

14.1.08

engarrafada





também é uma forma de estar protegida! e, de acordo com os dados do mercado, a valer mais.

13.1.08

a vida é o dia de hoje





mesmo que já não seja dia, há sempre dia e há onde é dia sempre. é só querer acreditar.
e amanhã logo se vê...

12.1.08

amanhã é outro dia





porque aqui, hoje, é dia de teias de aranha. e cada qual tem a(s) sua(s) teia(s).
se quiser... se puder...

11.1.08

desejo final

seja boa morte
ou morte sofrida,
não colem nas paredes
nem batam em latas.


batam na madeira.

10.1.08

perto de [uma] casa

qual a vantagem de
saber o que está
sob nós?

qual a utilidade de
saber o que há
sobre nós?

9.1.08

fora de prazo e fora de sítio

fora de prazo
porque
fora de sítio?


fora de sítio
porque
fora de prazo?

8.1.08

7.1.08

deliberação






com pezinhos de lã não chegamos lá porque sem a vontade da mão humana não estamos lá...

6.1.08

ab ovo

começar desde o princípio!
escrevo uma história autêntica pretendendo que é fingida ou uma história falsa que aguardo que se converta em verdade?

ainda somos capazes da [na] diferença?

5.1.08

confiança, cumplicidade, sedução






só somos se contarmos
COM / A / PARA
alguém.

4.1.08

meta(s)

haverá
maior
felicidade
que
esquecer a
obrigação
de ser
feliz?

3.1.08

sem ti páro


a descoberta do imprescindível à nossa existência muda-nos?

e aumentamo-nos ou protegemo-nos?

existência ou exigência?