
a ausência de corrector na vida [era] é [será] erroneamente designada destino.
na sugestão do plágio há assombro e presunção
Sabe dizer-me onde fica a Rua da Misericórdia, pergunta do interior de um carro comercial preto. Talvez se me indicar o que procura. Mostra a folha A4, orlada a preto, com uma cruz centrada ao cimo, a anunciar o óbito.
Parece que o Truffaut dizia que as canções da rádio às vezes dizem a verdade. Recordei "E depois do adeus" e lembrei-me das situações que fazem chorar as pedras da calçada e, em certos casos, nascerem-lhes mesmo corações mesmo... Sempre, é claro, ao som de um verdadeiro adeus ouvido numa rádio indefinida e intemporal.
3 (o Carnaval são três dias); 5 (as cinco fases do luto: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação); 7 (os sete pecados mortais: gula, luxúria, ganância, preguiça, vaidade, inveja e ira); 10 (os dez mandamentos que todos conhecemos na pele); 12 (as curas dos 12 passos para alcoólicos, toxicodependente e quem mais apanhar pesos); 17 (o " I aint got seventeen days", Amy Winehouse); 80 (a tia Maria das Dores faz 80 anos hoje!).
Hoje o dia é de uma jovem de 15 anos, com a qual regateei uma fotografia em vez de um amplexo. Antes de me entregar a "coisa escrita" de hoje que eu comprara, foi correr a tirar fotocópia do texto. Despedi-me dela com um "fizeste-me o dia, hoje". Mesmo que não a tenha compreendido, estou certa que a frase vai entrar numa das folhas pautadas do bloco A5 onde escreve, com verdadeira caneta de verdadeira tinta permanente.“Um dia acordei com medo da luz. Fosse o consolo de ver-te & quiçá me houvesse erguido. Nesse dia, o meu mundo parou por algumas horas. A tua imagem, inerte, ocupou todo o meu ver. Eras não mais que uma tortura. Mas qual consolo, qual quê? Ver-te? Ora essa! Nesse dia, só os cobertores me consolaram. Poder-te-ia chamar com todo o meu fôlego, mas mas todas as barreiras entre nós por ti impostas impedir-te-iam de ouvir. Seria não mais que um outro grito do meu querer-te a desvanecer. Podias contar pelos dedos todos os passos que já deste na minha direcção, tendo eu por anos & anos corrido mil mundos para ti todas as manhãs. Mas agora a luz feria-me & tu eras só a cura que nunca chegaria. Todo o frio que me atava à cama era só sintoma da falta dos teus braços.”Kay Worska
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desde que o gato preto que passa à nossa frente não o faça enquanto estamos em jejum não há azar!.jpg)
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