
pelo caminho dei-te a mão. e choveu. chove sempre. no regresso recordei os sentidos de uma escorregadia pedra molhada. e voltei para uma outra chuva, sem mão.

dou-te o meu reino, faço-te rei e rainha e vida; afasto o necessário do suficiente, o desejável do suportável; troco o vazio pelo cheio, o cheiro pelo toque; mudo o respirar para o palpitar. e danço.
depois de descer muitas vezes, decidiu que era tempo de subir. enquanto andava de costas, a mudança de sentido, na direcção de um destino não escolhido, era difícil; olhou para o céu, contou as estrelas e apostou quantos cravos iam nascer: oito! contou três candeeiros e cinco telemóveis. mas eram nove se contasse com a ferradura pendurada nas costas da porta... tropeçou-se e caíu na esquina.



e quando finalmente conseguiu abrir, entrar, olhar e sair, percebeu que para fechar a porta tinha que ter a chave do lado de fora; a porta, que não tinha nesgas outras para além das rugas, era impedimento para incluir essa chave no não existente que tinha sido construído / decidido. moral da "tisana": são as chaves que determinam onde iniciamos o nosso passado e não as mãos que as giram.
na sugestão do plágio há assombro e presunção
Sabe dizer-me onde fica a Rua da Misericórdia, pergunta do interior de um carro comercial preto. Talvez se me indicar o que procura. Mostra a folha A4, orlada a preto, com uma cruz centrada ao cimo, a anunciar o óbito.
Parece que o Truffaut dizia que as canções da rádio às vezes dizem a verdade. Recordei "E depois do adeus" e lembrei-me das situações que fazem chorar as pedras da calçada e, em certos casos, nascerem-lhes mesmo corações mesmo... Sempre, é claro, ao som de um verdadeiro adeus ouvido numa rádio indefinida e intemporal.