23.1.08

característica ou defeito?





gostar de gostar.

2 comentários:

mm disse...

é o início do acordar
do gosto em nós

JS disse...

Sempre gostei de gostar da definição anglo-saxónica de cultura, tida como “the training, improvement and refinement of mind, morals or taste”.
Esta definição contém para mim o princípio mais abrangente e rico da cultura; o ecletismo, a liberdade de escolha, a sobreposição do direito natural ao positivo.
Eu não quero que a única actividade que efectivamente me dá prazer, enriquece, desenvolve, diverte, materializa, esteja sujeita a orientações governamentais cíclicas de caríz político, conduzidas por intervenientes, também eles cíclicos, cuja missão é encontrar e educar o máximo denominador comúm.
Aqui, reside o problema da cultura; a individualidade na procura e o máximo denominador comúm na oferta.
Efectivamente poderá ser um dever aculturar-me, mas da forma que mais me apraz, não por imposição, directriz positiva, decreto governamental, afinal não é uma obrigação!. Pode não me apetecer!.
Aceito que é um direito, tal como o de viajar, aventurar-me, conhecer, ir, namorar, beber, fumar, almoçar, jantar, ler, ver, debater, estudar,....., realizar as actividades que efectivamente me dão prazer, e que genericamente construem a minha, e sublinho minha, cultura!, contudo mantenho que são um direito, posso exercê-lo ou não!. Não me obriguem!.
Pode não me apetecer!
Cada uma das actividade individuais que como todo denomino cultura, têm um enquadramento específico, têm uma concentração adequada, um mood!.
Os cinemas, as agências de viagens, as livrarias, os bares, as bibliotecas, consolidaram-se e concentraram-se, seguindo as correntes e os hábitos populacionais, reformaram-se e voltaram à formula inicial. De fora ficaram os teatros e o teatro, porquê?.
Nos idos anos 50/60 e 70, os cinemas, as livrarias, os cafés, os restaurantes, os bares e os teatros estavam consolidados e concentrados localmente.
Em Lisboa, tal como em Londres, Paris, Madrid ou Nova Iorque quem ia a um cinema ou teatro, gostava de passear, ver o espectáculo, jantar, debater e acabar num bar a falar, este era e é o mood!.
Nos anos 80 e 90, Portugal mudou a sua estrutura de oferta, mas não o hábito!. A consolidação e concentração manteve-se, porém migrou para os centros comerciais. Os cinemas, as livrarias, os cafés e os restaurantes, adaptaram-se a esta nova realidade. O Teatro não!.
Se eu desejo ir ao cinema, no sentido lato, sei que tenho que ir a um centro comercial, pois sei que numa das várias salas, encontro a individualidade da minha procura. Tal como sucedida nos anos 50/60 e 70, num raio de 500 metros, encontrava o filme que gostava de ver.
Nos idos anos 50/60 e 70, se desejava ir ao teatro ou ao cinema, no sentido lato, sabia que em Lisboa, no eixo Parque Mayer e Baixa encontrava a minha individualidade, bem como cafés, restaurantes e bares, para ir após o espectáculo.
As demais capitais mantiveram este conceito. Consolidação e concentração geográfica, preservando a individualidade na oferta, pois essa é a procura. Portugal manteve o conceito, mas migrou para os centros comerciais. O teatro não entendeu isto!
Posso continuar a gritar, que é um dever, um direito, e que devem pagar a minha teimosia, mas se não me concentrar e consolidar localmente para voltar a formúla antiga, irei concerteza ficar sem voz e sem dinheiro!.
Gosto de gostar de pensar que o Teatro, como forma de cultura, irá continuar a ter uma oferta que satisfaça a individualidade da procura, mas concentrada localmente, junto a cinemas, restaurantes, bares, cafés, livrarias ao ar livre ou num centro comercial!.

Gosto de gostar de pensar que não são teimosos!