9.2.08

"caminhoso"




não se nasce para morrer.
vive-se e morre-se.

2 comentários:

x disse...

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

JS disse...

A morte sempre foi para mim um assunto complexo.
A ideia do fim.
A forma como o mesmo ocorrerá.
A forma como o enfrentaremos.
A balança entre o medo e a tranquilidade, face à morte.
O medo do incompleto, face à tranquilidade do completo.
Na vida todos os prazeres são infinitos, o finito temporal, o binómio é paradoxal.
Um tempo limitado para nos realizar-mos é assustador.
Existe uma certa vaidade no encarar da morte.
A nossa vaidade!.
A vaidade da conquista realizada e o orgulho desse prazer.
O tempo e a incerteza, retiram a beleza do prazer intemporal.
Terei que viver de um fôlego?, e se não me apetecer!, e se não for essa a minha forma?.
Terei de viver lentamente?, e se não tiver tempo!, ou não gostar?
Terei que viver como quiser!..., não pensando na morte!.
Será isso lógico!.
Será que é melhor não pensar, e simplesmente viver?.
Será que quando se pensa, não se consegue realmente viver?.

Gosto de pensar na morte como um anjo.
Um anjo que nos companha, ...todos os dias,
e vive de nós, orgulha-se de nós, física e mentalmente,
e deixa-nos viver, enquanto nós o alimentar-mos!.

Gosto de pensar que o meu anjo, gosta de ler, ...todos os dias,
gosta de viajar, ...sempre,
gosta de amar, ...tudo,
gosta de beber, ... o frio da escócia,
conversar, ..., sobre tudo, seduzir,..., tudo,
conquistar,...a minha alma, construir,...o meu orgulho...

Gosto de pensar que vivo para alimentar o meu anjo,
e quando já não quiser mais viver, ...
Ele morre!.